02 junho 2013










Dormes.
Não há no mundo senão teu rosto.

O céu sob o tecto
espera comigo que despertes.

O meu único relógio
é a sombra imóvel no chão do quarto.

A curva da terra
em tua pálpebra desenhada:
no teu sono me embalas.

Dormes-me.










Mia Couto









2 comentários:

  1. O poema fez-me lembrar um filme (ou livro?) em que um tipo fitava a namorada enquanto ela dormia e, estando ela prestes a acordar, o sacana impedia-a de abrir os olhos com a ponta dos dedos sobre as pálpebras! Apre.

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