29 setembro 2012











Sobre a Palavra







Entre a folha branca e o gume do olhar
a boca envelhece

Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama

Assim se morre dizias tu
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura

Na porosa fronteira do silêncio
a mão ilumina a terra inacabada

Interminavelmente


 







Eugénio de Andrade
















escrita por handel em 1738, a ópera "serse" alberga esta ária mais-que-perfeita, 
que passou a fazer parte do repertório habitual dos castrati.
duvido que algum deles pudesse superar a grande cecilia bartoli, magistral nesta recriação.



Ombra mai fu
di vegetabile,
cara ed amabile,
soave più.










































nunca gostei muito de vangelis mas, devo confessar, tenho um fraquinho por esta canção sem palavras.
não sei se é pelo filme (um dos da minha vida), se pela rouquidão do sax, mas recentemente dou por mim muitas vezes a (tentar) assobiar a melodia.















28 setembro 2012







Siempre que he ojeado libros de estética, he tenido la incómoda sensación de estar leyendo obras de astrónomos que jamás hubieran mirado a las estrellas. Quiero decir que sus autores escribían sobre poesía como si fuera un deber, y no lo que es en realidad: una pasión y un placer.





Jorge Luis Borges








27 setembro 2012











dizem que o título desta canção, "cut here", mais não seria que um anagrama do próprio nome da banda, uma vez que o sr. smith teria pensado que era a última que gravavam.
sei que esta versão unplugged me diz mais que a original e este clip - entre os inúmeros que se encontram por aí - é de longe o melhor... a cura e as flores...



(a letra já leram)


















d e s c u b r a
a s
s e t e
d i f e r e n ç a s :






(que estão sempre a mudar...)






A:





B:



























casa da música













26 setembro 2012













[jardins gulbenkian]




















ouvi isto hoje no carro, quando ia a caminho da apresentação do livro "poesia reunida" de maria do rosário pedreira. 
não sei bem explicar, até porque esta letra remete para outro universo, muito diferente, 
mas no regresso ouvi de novo esta canção e achei que seria ideal para musicar algumas das suas palavras.



Romeo is bleeding, not so as you'd notice
He's over on 18th street as usual
Lookin' so hard against the hood of his car

Puttin' out a cigarette in his hand
For all the pachucos at the pumps
At Romero's Paint and Body

They're all seein' how far they can spit
Well, it was just another night
And now they're huddled in the
Brake lights of a 58 Belair
And listenin' to how Romeo killed
The Sheriff with his knife

And they all jump when they hear the sirens
Romeo just laughs
"All the racket in the world ain't never gonna
Save that Coppers' ass
He ain't never gonna see another summertime
For gunnin' down my brother
Leavin' him like a dog
Beneath a car without his knife"
Romeo says," Hey man, gimme a cigarette"
And they all reach for their pack
Frankie lights it for him and pats him on the back
An' throws a bottle at a milk truck
And as it breaks, he grabs his nuts
An' they all know, they could be just like Romeo
If they only had the guts

Romeo is bleeding, nobody can tell
An' he sings along with the radio
With a bullet in his chest
An' he combs back his fenders
They all agree it's clear
That everything is cool, and if Romeo was here

Romeo is bleeding an' he winces now an' then
An' he leans against the car door
Feels the blood in his shoes
Someone's cryin' at the fire point
In the phone booth by the store
Romeo starts his engines
Wipes the blood off the door
And he brodys through the signal
With the radio full blast
Leavin' the boys there, hikin' up their chinos
And now they're all tryin' to stand like Romeo
With the moon, cut like a sickle
And they're talkin' now in Spanish, all about their hero

Romeo is bleeding as he gives the man his ticket
And he climbs the balcony at the movies
And he'll die without a whimper
Like every hero's dream
Like an angel with a bullet
And Cagney on a screen













25 setembro 2012








Ainda bem
que não morri de todas as vezes que
quis morrer – que não saltei da ponte,
nem enchi os pulsos de sangue, nem
me deitei à linha, lá longe. Ainda bem

que não atei a corda à viga do tecto, nem
comprei na farmácia, com receita fingida,
uma dose de sono eterno. Ainda bem

que tive medo: das facas, das alturas, mas
sobretudo de não morrer completamente
e ficar para aí – ainda mais perdida do que
antes – a olhar sem ver. Ainda bem

que o tecto foi sempre demasiado alto e
eu ridiculamente pequena para a morte.


Se tivesse morrido de uma dessas vezes,
não ouviria agora a tua voz a chamar-me,
enquanto escrevo este poema, que pode
não parecer – mas é – um poema de amor.









Maria do Rosário Pedreira






















só recentemente cheguei aos mumford and sons, um daqueles grupos re-inventores de um certo folk britânico. 
esta canção mais-que-perfeita não foi incluída no cd de estreia e parece que já só se encontra na net. ainda bem...



I know that things are broken,
An' though there's too many words left unsaid.
You say you have spoken,
Like the coward I am, I hang my head.
You lay careless your head on my chest,
An' don't even look at me looking my best.
All these things I can't describe,
You would rather I didn't try.
But please, don't cry, you liar!
Oh please, don't cry, you liar!
You lean in for your last kiss,
Who in this world could ask me to resist?
Your hands' cold as they find my neck,
Oh this love that I've found, I detest.












24 setembro 2012













[janelas de lisboa]



















Por uma luz real 








A rapariga debaixo da luz verde
da árvore
parecia usar a máscara disforme
dos pesadelos.


Era uma imagem nítida,
quase branca.


Fumava.
Olhava-me para dentro do medo
sem rosto
debruçada, lenta, circular.


Era noite.
Eu estava na rua à tua espera.
Na rua não, no carro.
Eu estava no carro de vidros abertos
de olhos abertos
debruçada.


Mas felizmente tu chegaste
com a tua luz real (tão real)
para me interromper o pesadelo.









Filipa Leal















nascido em memphis há quase cem anos, john len chatham foi um dos grandes pianistas e compositores dos azuis. 
gravou mais de quinhentas canções e esta era o seu cartão de visita, um standard que quase toda a gente também gravou.
o produtor da sua companhia discográfica chamava-lhe memphis slim, e com esse nome ficou na história.



Every day, every day I have the blues,
Every day, every day I have the blues,
When you see me worried, baby, because it's you I hate to lose.

Nobody loves me, nobody seems to care,
Nobody loves me, nobody seems to care,
Speaking of bad luck and trouble will you know I,ve had my share.

I'm gonna pack my suit-case, move on down the line,
I'm gonna pack my suit-case, moving down the line,
Well, there ain't nobody worryin' and there ain't nobody cryin'.
Seems to me every day, every day I have the blues,
Every day, every day I have the blues...










23 setembro 2012









fábulas de lisboa








xxxviii.  josé maria e a verdade








( lê-se melhor aqui )




















Eterno outono







Estou com a idade pousada nas mãos.
Explico-me com dedicação aos berços fundos
onde cada coisa dorme o seu medo de morrer.

Há na tristeza um perigo de terminar:
o eterno outono parece belo
a quem perdeu todas as sementes.

Pergunta-se um nome e ninguém responde.
Onde fica essa ilha a que só chegamos por naufrágio?








Vasco Gato



















é oficial: chegou e acabou de assinar um contrato a prazo por três meses



























[parque das nações]












22 setembro 2012










é por coisas destas que eu a.d.o.r.o. oscar wilde



(aborrece-me é que se faça actualmente passar por stephen fry)




















recordo muitas vezes esta canção de mike scott, a primeira dos waterboys que ouvi.
e está aqui porque uma miúda chamada johnny festeja hoje mais um aniversário.



I remember Johnny - hey! 
Johnny come lately 
I remember her shoes like a ballerina 
A girl called Johnny who 
changed her name when she 
discovered her choice was to 
change or to be changed 

I remember a girl called Johnny 
black as hell and white as a ghost 
"Don't talk about life or death" 
she said "I've had enough of both" 
A girl called Johnny who was not scared 
they'd have torn her to pieces but 
who would dare? 

I remember a girl called Johnny 
the train came to town, boy she got on it 
with no looking back, with not a word 
If she said goodbye, well I never heard 
but the noise goes on 
the noise, the jazz 
and the truth is in somebody else's hands 
and the house that a girl called johnny built 
is now just so much ashes and sand