16 julho 2012













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Há ocasiões em que é ele próprio quem escolhe um livro de uma das estantes. Sabe, evidentemente, onde está cada exemplar e dirige-se ao respectivo sítio, infalivelmente. Mas por vezes encontra-se num lugar onde as estantes não lhe são familiares, numa livraria nova por exemplo, e sucede então qualquer coisa de inquietante: Borges percorre com as suas mãos as lombadas dos livros, como abrindo caminho com o tacto pela superfície acidentada de um mapa em relevo e, embora desconheça o território, a sua pele parece decifrar a geografia. Fazendo correr os seus dedos por livros que nunca antes abriu, qualquer coisa de semelhante à intuição de um artífice lhe dirá de que se trata o volume que está a tocar. Chega a ser capaz de decifrar nomes e títulos que com certeza não pode ler.
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Alberto Manguel











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