31 maio 2012







sempre na busca de um nocturno mais-que-perfeito, recordei esta pérola a que retorno vezes sem conta:
e quando se ouve esta alice no país das maravilhas com mais de cinquenta anos, percebe-se quanto o trio de jarrett deve a esta formação superlativa de bill evans, com o grande paul motian na bateria e o genial e precocemente desaparecido scott lafaro no contrabaixo... 


















Murmuro o teu nome ao rés da relva

Murmuro-o
Em diagonal da terra ao céu azul
Radiante

Felicíssimo
Não entendo nada.









Alberto de Lacerda























janelas de lisboa























walter whitman

( 1819 - 2012 (



















"I am the poet of the Body and I am the poet of the Soul, 
The pleasures of heaven are with me and the pains of hell are with me, 
The first I graft and increase upon myself, the latter I translate 
into new tongue."









Walt Whitman
in "Song of Myself"










(o senhor Whitman festeja hoje o seu 193º aniversário; parabéns Walt...)




30 maio 2012







lembro-me como se fosse ontem:

comprei o "rain dogs" assim que apareceu e esta era a canção que fechava o lado 1.

fiquei a ouvi-la tantas vezes que só no dia seguinte percebi que o LP tinha outra face...




Well, the smart money's on Harlow
And the moon is in the street
The shadow boys are breaking all the laws
And you're east of East St. Louis
And the wind is making speeches
And the rain sounds like a round of applause
Napoleon is weeping in the Carnival saloon
His invisible fiancé is in the mirror
The band is going home
It's raining hammers, it's raining nails
Yes, it's true, there's nothing left for him down here

Chorus:
And it's Time Time Time
And it's Time Time Time
And it's Time Time Time
That you love
And it's Time Time Time

And they all pretend they're Orphans
And their memory's like a train
You can see it getting smaller as it pulls away
And the things you can't remember
Tell the things you can't forget that
History puts a saint in every dream
Well she said she'd steak around
Until the bandages came off
But these mamas boys just don't know when to quit
And Matida asks the sailors are those dreams
Or are those prayers
So just close your eyes, son
And this won't hurt a bit

Chorus

Well, things are pretty lousy for a calendar girl
The boys just dive right off the cars
And splash into the street
And when she's on a roll she pulls a razor
From her boot and a thousand
Pigeons fall around her feet
So put a candle in the window
And a kiss upon his lips
Till the dish outside the window fills with rain
Just like a stranger with the weeds in your heart
And play the fiddler off till i come back again

Chorus




















montras de lisboa






















Nocturno








A arte já sabemos nasce
da imperfeição das coisas
que trazemos para casa
com o pó da rua
quando a tarde finda
e não temos água quente
para lavar a cabeça.
Tentamos regular
com açudes de orações
o curso da tristeza
mudamos de cadeira
e levamos a noite
a dizer oxalá
como se a palavra
praticasse anestesia.









José Miguel Silva





















acho que já o disse por aqui - mas volto a repetir:
algumas das canções da minha vida não têm palavras
(... é o caso destes guardanapos cor de rosa ...)














29 maio 2012













summer evening

edward hopper



















"Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras. É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras."






José de Almada Negreiros



















nunca mais houve uma voz como esta, ao mesmo tempo doce e rouca, ao mesmo tempo grave e aguda. 
miss armatrading nunca teve a notoriedade que merecia, mas muitas vezes a história da música é assim… 
ouvi esta canção pela primeira vez quando ainda andava no liceu, e logo desde aquele primeiro verso 
percebi que ia ser uma daquelas canções mais-que-perfeitas que me iam acompanhar sempre.


I am not in love 
But I'm open to persuasion 
East or West 
Where's the best 
For romancing

With a friend 
I can smile 
But with a lover 
I could roll my head back 
I could really laugh 
Really laugh

Thank you 
You took me dancing 
'Cross the floor 
Cheek to cheek 
But with a lover 
I could really move 
Really move 
I could really dance 
Really dance 
I could really move 
Really move 

Now if I can feel the sun 
In my eyes 
And the rain on my face 
Why can't I 
Feel love ?

I can really love 
Really love 
Love love love love 

Now I got all 
The friends that I want 
I may need more 
But I shall just stick to those 
That I have got 
With friends I still feel 
So insecure

Little darling I believe you could 
Help me a lot 
Just take my hand 
And lead me where you will 
No conversation 
No wave goodnight 
Just make love 
With affection

Sing me another love song 
But this time 
With a little dedication 
Sing it, sing it 
You know that's what I like 
Once more with feeling 
Give me love 
Love...

Make love with affection 
Sing me another love song 
But this time
With a little dedication 
Sing it, sing it 
You know that's what I like 

Once more with feeling 
Sing me another love song 
But this time 
With a little dedication 
Sing it, sing it
You know that's what I like 

With affection
With a little dedication
Once more with feeling
You know that’s what I like
Love…















estremeço desde o princípio do meu rosto
desde o momento em que sorri e me sorriram
e é nesse lugar ínfimo que suspendo todas as palavras
que fecho os olhos e sinto a frescura de todas as águas
o oceano que cessa e atende o esvoaçar da primavera


é a primeira primavera de todos os outonos
é aqui que em silêncio se bordam os calendários
dias entre dias e sobre dias e as memórias que escapam
e não mais se alcançam se não nos tornamos menores
– no futuro não há esquecimento nem segredos
cada coração guarda apenas o que for mais comum






Vasco Gato










[ lê-se (e vê-se, e ouve-se) melhor aqui ]

28 maio 2012













jardins gulbenkian






















Estar contigo ao acordar








Estar contigo ao acordar, ver como
se abrem as tuas pálpebras, cortinas
corridas sobre o sonho, sacudir dos
teus lábios o silêncio da noite para
que um primeiro riso me traga o dia:
assim, amor, reconheço a vida que
entra contigo pela casa, escancara
janelas e portas, deixa ouvir os pássaros
e o vento fresco da manhã, até que voltas
para junto de mim, e tudo recomeça.









Nuno Júdice



















uma pérola mais do senhor hooker, este é um daqueles azuis que se tornou 
arquétipo de todos os azuis - aqui numa versão universal e a duas vozes...




I'm in the mood baby, I'm in the mood for love
I'm in the mood baby, I'm in the mood for love
I'm in the mood, I'm in the mood, baby, I'm in the mood for love

I said night time is the right time, to be with the one you love
You know when night come baby, God know, you're so far away
I'm in the mood, I'm in the mood baby, I'm in the mood for love
I'm in the mood, in the mood, baby, in the mood for love

I said yes, my mama told me, to leave that girl alone
But my mama didn't know, God know, girl was puttin' down
I'm in the mood, I'm in the mood baby, in the mood for love
I'm in the mood, I'm in the mood, baby, in the mood for love












25 maio 2012












fábulas de lisboa








xxi. calçada da bica pequena








( lê-se melhor aqui )






















grupo ainda hoje inclassificável, os gigante gentil souberam misturar toda a música que havia para fazer uma que ainda não havia. 
esta canção é uma obra-prima, escrita à maneira de uma fuga vocal (com contraponto & tudo), como o joão sebastião teria escrito...
e essa é mesmo a única vantagem de ser um rapaz antigo: a de poder dizer que há trinta e tal anos continuo a ouvir e a gostar disto.




In my way did I use you, do you think I really abused you
On reflection now it doesn't matter:
How can you say I made you need me more than anyone else
Who can say it right now it's finished over:
It's my act, it's my calling, I explained exactly the falling
Different ways of life can never even:
Be the same when you saw me, could you always take me the
same way as I came and went I tried to remember you:
Still you stay
Tied in your way
Changing times
Watching the signs

How:
Could you see in me what you thought about all you want me to be
Now:
On reflection why should have I changed my ways for you
All around all around

Cry my sympathy's with you but I never lied to you all in all
it seems it's just an experience:
Placed my cards on the table told of everything I was able,

Understanding still not anything different:
Find another to lean on, start again for I should have long
gone, on reflection now it's just an experience.
Soon the pain will have ended, together never intended, as I
come and go I'll try to remember you.

Look back it's not your game, together just in name.

I'll remember the good things how can you forget all the years
that we shared in our way:
Things were changing my life, taking your place in my life and
our time drifting away:
All around all around



























cais da rocha


















A noite abre meus olhos








Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado


Ferrugens cintilam no mundo
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes


A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta


o amor é uma noite a que se chega só









José Tolentino Mendonça







24 maio 2012









d e s c u b r a
a s
s e t e
d i f e r e n ç a s :









[ apesar de ser gershwin o maior escritor no american songbook, 
há mesmo qualquer coisa de inigualável nas canções de cole porter, 
não só pelas melodias mas também, e sobretudo, pelos jogos de palavras ]

A:  : julie london

B:  : neville brothers

in the still of the night
as I gaze from my window
at the moon in its flight
my thoughts all stray to you

in the still of the night
all the world is in slumber
all the times without number
darling when I say to you

do you love me,
as I love you
are you my life to be,
my dream come true

or will this dream of mine
fade out of sight
like the moon growing dim,
on the rim
of the hill
in the chill
still
of the night